500 anos da Reforma Protestante, um breve relato

A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero (1483-1546), na Alemanha. Em 2017, esse processo histórico completa 500 anos, sendo hoje considerado um dos eventos mais importantes da história moderna.

No fim da Idade Média, a Igreja Católica tinha grande influência política e social. Ela se tornou uma potência financeira e em diversos casos foi usada como um instrumento de fortalecimento do poder político. O Papa tinha uma fortuna maior do que muitos príncipes e os cargos eclesiásticos eram disputados pela aristocracia e muitas vezes viravam moeda de troca política.

A venda de indulgências

Uma das práticas mais comuns da Igreja Católica era a venda pública das indulgências, os pergaminhos que perdoavam os pecados do fiel. Muitos padres as vendiam em troca de uma doação em dinheiro a Igreja. “Assim que a moeda no cofre cai, a alma do Purgatório sai”, dizia um ditado popular. Era quase como comprar um lugar no céu.

O papaLeão X promoveu a ampliação da Basílica de São Pedro e a construção de diversas obras. Seu mandato também foi caracterizado por tentar reunir os príncipes cristãos nas Cruzadas contra os turcos. Mas para financiar os vultosos gastos militares e suntuários, Leão X aumentou a venda de indulgências.

Havia um estado de espírito comum a muitos seguidores da Igreja, de que ela deveria voltar a praticar valores verdadeiramente cristãos. Vários foram os pensadores que questionaram a autoridade moral da instituição e defenderam reformas religiosas na Europa.

Martinho Lutero

 

No dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero afixou na porta da Igreja de Wittemberg, na Alemanha, 95 teses que criticavam a conduta da Igreja Católica. Os textos denunciavam a deturpação do evangelho, a venda de indulgências ,a corrupção e o enriquecimento ilícito. Além das denúncias, chamavam o cristão ao arrependimento e à fé.

Lutero pregava que somente a fé em Deus salvava as pessoas. Uma ideia que se opunha à salvação pela compra de indulgências. Essa interpretação oferecia ao povo a expiação da culpa por meio da contrição e penitência, o que ia contra as práticas da Igreja naquele momento. Para ele, a salvação se dá pela fé, na graça e misericórdia divina.

As 95 teses de Lutero deram origem a um movimento de ruptura que levou à criação de uma nova religião cristã, o Luteranismo, identificado como um movimento protestante em relação ao Catolicismo. Daí vem o nome “Protestante”, para designar os seguidores dessa vertente cristã.

 

A Reforma Protestante se espalhou na Alemanha e teve rápida aceitação em vários países. Enquanto na Alemanha a reforma era liderada por Lutero, na França e na Suíça a Reforma teve como líderes João Calvino (1509-1564) e Ulrico Zuínglio (1484-1531). Na França e nos Países Baixos, os adeptos foram chamados de huguenotes. Na Inglaterra, de puritanos, e na Escócia, de presbiterianos. Outros movimentos protestantes apareceram depois como o pentecostalismo no início do século XX.

Lutero também inovou e traduziu a Bíblia do latim para o alemão. Naquela época, o acesso à Bíblia era muito restrito.  Com Lutero, a Bíblia foi impressa nos modelos da imprensa de Gutenberg e estava disponível para mais pessoas. O cristianismo ficou menos hierárquico e mais acessível. Isso ajudou ainda mais na disseminação da leitura e na proliferação do protestantismo na Europa e posteriormente para todo o mundo através dos seus missionários.

O mundo atual não seria como é sem a Reforma Protestante e isto é motivo de celebração para todos os evangélicos de todas as nacionalidades e de todas as denominações.

 

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