Quando o manto não rasga…

Disse Samuel a Saul: Vai agora e fere Amaleque e destrói tudo o que tiver… E Saul feriu os amalequitas, mas tomou vivo a Aguague, rei do amalequitas e poupou o melhor das ovelhas e dos bois…. Então veio a Palavra do Senhor a Samuel, dizendo: …Saul não executou minhas palavras…visto que rejeitaste a palavra do Senhor , não mais serás rei sobre Israel. Virando-se Samuel para ir , Saul o segurou pela orla do manto e este se rasgou. (I Samuel 15)

Veio por trás dele e lhe tocou na orla da veste e logo lhe estancou a hemorragia… Contudo Jesus insistiu: Alguém me tocou porque de mim saiu poder. (Lucas 8: 44 a 46)

O Espírito Santo me levou a pensar, através dessas duas passagens, em algumas verdades de Cristo. Uma delas é a respeito da verdadeira adoração e do fato de que, se existe a verdadeira, existe a falsa também. Outra, é a nossa capacidade, enquanto escolhidos de Deus, de nos agarrar ao engano e amá-lo. Nos apegamos ao engano e insistimos em não quebrantar nosso espírito para receber o tratamento do Espírito Santo.

Deus havia, por meio do profeta Samuel, dado ordens a Saul para que riscasse do mapa os Amalequitas e nada poupasse. Se voltarmos mais na Bíblia, mais precisamente no livro de Êxodo, veremos que esse povo (amalequitas) se voltou contra o povo de Deus recém saído do Egito. O Senhor acabou prometendo profeticamente o fim de sua existência. Pois esse momento havia chegado, naquela hora e, através de Saul, devia cumprir-se. Mas Saul não obedeceu. Não conseguiu “ler” em seu espírito a vontade do Pai, somando mais um ato desagradável a sua vida com Deus. Saul tentou cumprir o propósito de Deus segundo sua própria vontade, poupando aquilo que Deus mandara exterminar, preservando o rei Aguague e sutilmente fazendo prevalecer suas vontades humanas, carnais.

Sei que isso não é nenhuma novidade para nós hoje, pois além dos exemplos bíblicos, estamos rodeados desse modo de se relacionar com Deus. Vemos tantos querendo O adorar e servir, mas sempre do seus modos humanos. Inventamos estratégias, moveres e acabamos nos enchendo de nós mesmos, com o objetivo de cumprir os objetivos de Deus… Saul disse a Samuel que viesse com ele, para que ambos adorassem diante do povo. Ele se preocupava com sua imagem e reputação de rei, e não com sua constituição de adorador diante do Pai. Essa falsa adoração fez a orla do “presumido” manto de Deus, tipificado em Samuel, se rasgar. Não era a adoração verdadeira.

A adoração verdadeira tem muito mais a ver com desespero e com jogar toda reputação e dignidade, diante dos homens, para longe. Tem mais a ver com o que diz o Salmo 62: “derramai perante Ele seu coração…”. Aquela mulher, enferma há anos, nada tinha a perder! Se arrastou em meio a uma multidão e agarrou no manto de Jesus. Ao invés de se rasgar, dele saiu poder!!!! Quando estamos vazios de nós mesmos, começamos a entender o caminho para a sala do trono.

Estamos tão ocupados “servindo” a Deus com orações intercessórias, ofertas generosas, cultos bem programados, missões, administração eclesiástica, conferências e convenções, estratégias de evangelismo emocional, que estamos perdendo o que Ele está dizendo. Será que não perdemos a simplicidade de ouvir Sua voz e tremer diante de Sua Palavra??? “Louvamos”, depois “adoramos” (a propósito, se vc não sabe a diferença, temos visto da seguinte forma: o louvor são as músicas rápidas e a adoração as lentas…). Depois fazemos anúncios, ofertas, apelo e, dependendo do lugar, até impomos as mãos para ver alguns caírem. Mas temos visto Deus ficar de fora de tudo, e perdemos a chance de sairmos transformados de maneira real, através Dele!!!! Ele pode fazer em um segundo o que tentamos há anos! Deus observa nossa “plenitude de requisitos ministeriais”, enquanto seguimos nossos caminhos. Ainda creio firmemente que a palavra chave para a verdadeira adoração é arrependimento. Quando isso tocar os corações veremos uma igreja unida, humilde, e não insegura, que busca auxílio em políticos e se prostitui empresarialmente por almas. O verdadeiro amor pelas almas é mostrar o verdadeiro caminho do arrependimento e da obediência: a Cruz.

Deus abençoe.

 

Fonte : Gustavo Adolfo.

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